Ou isto ou aquilo


Feliz 2012

Tenho a impressão de que 2012 será melhor do que 2011. Meu 2011 foi meio truncado... Em janeiro, tirei a vesicula (não foi uma cirurgia comum, a posição anatômica era complicada, enfim, o que era para acontecer em uma hora aconteceu em três e meia...). Em junho, achado na mamografia, desespero total e depois de 2 semanas de muito medo, biopsia negativa: UFA! Em agosto, a "gentil" americana bateu a porta do carro no meu dedão da mão direita... fui parar no PS, a unha foi drenada e ainda não cresceu totalmente! E depois em setembro, levei um tombo cinematográfico correndo no Ibirapuera, me ralei muito, até a barriga... Sobrevivi! Que venha 2012 com uma ilustração dos irmãos Fabio Moon e Gabriel Bá, autores do melhor livro que li em 2011: Daytripper.



Escrito por DaniFranco às 09h00
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Ser mãe ou ter filhos?

ROSELY SAYÃOCaprichos de adultos

Vídeos exibindo crianças em situações diversas, feitos e postados pelos pais, são o novo fenômeno Uma leitora disse que gostaria de ler uma reflexão sobre as razões que movem essas mulheres capazes de tudo quando querem ter filhos. Ela assiste a uma novela na qual uma personagem vive tal situação, e ela mesma tem amigas dispostas a arriscar alto para ter filhos. "Por que chegam a tal ponto?", pergunta. Nossa leitora jogou uma boa isca.
Qual o significado dos filhos no mundo atual? Certamente não é o mesmo para todas as pessoas, mas, considerando as pistas que temos e os valores de nossa sociedade, é possível universalizar algumas ideias. Vamos, então, juntar algumas delas. A primeira, a leitora trouxe: hoje, com o avanço da medicina, é possível engravidar nas situações mais adversas. As clínicas de fertilização estão repletas de mulheres que podem pagar pelos tratamentos caríssimos e que lá se encontram buscando realizar um sonho: o de ter um filho para chamar de "seu".
Outra constatação que podemos fazer é a de que os filhos, hoje, são levados a trilhar caminhos -muitas vezes árduos para eles- em busca daquilo que, conforme consideram seus pais, lhes dará êxito na vida. Melhor prova desse fenômeno é a maneira como a vida escolar da criança é tratada pelos pais.
Comecemos com as mais novas. Antes mesmo dos seis anos, os pais esperam que seus filhos aprendam a ler e a escrever na escola. Escolas, devidamente pressionadas pela sociedade, oferecem toda sorte de atividades que fazem crianças de dois ou três anos serem iniciadas nos mundos das letras e dos números. Isso, numa idade em que deveriam brincar.
Outro dia, uma criança de quatro anos reclamou com a mãe de uma maneira que esta ficou chocada e tomou a decisão de procurar uma outra escola, com um projeto diferente para seu filho. "Mãe, chego em casa com a mão doendo de tanto escrever." Uma outra mãe me contou que, na sala de espera do consultório do pediatra, percebeu a competição entre as mães, que vibravam quando seus filhos mostravam saber mais coisas que as outras crianças de mesma idade. Não é espantoso isso?
No ensino fundamental, as crianças já estão com as agendas lotadas de atividades e de aulas particulares. Tudo para garantir que sejam bons -ótimos, de preferência- alunos. 
Isso faz bem aos pais e não importa que seus filhos fiquem sobrecarregados. Por fim, um fenômeno que ocorre na internet: vídeos que exibem crianças em situações diversas, feitos e postados por seus pais, se transformam em fenômenos de audiência.
Um dos últimos mostra a reação de uma garotinha quando seus pais dão a ela uma surpresa de aniversário: uma viagem à Disney. O que deveria ser um acontecimento íntimo entre pais e filha, olho no olho, com afeto e vínculo, ganhou a intermediação de uma câmera, já com o intuito de exibir ao mundo a reação da criança. Um espetáculo.
Há vários outros filmes de crianças na internet. Certamente, caro leitor, você já deve ter visto alguns deles. Será que os filhos, hoje, existem para satisfazer os caprichos de seus pais?
Parece que sim.
Os filhos sempre carregaram a missão de realizar desejos de seus pais. Mas, aos poucos, com maior ou menor dificuldade, os pais permitiam que o filho assumisse sua própria vida.
Hoje isso parece estar mais difícil porque o mundo adulto está infantilizado e, principalmente, porque o relacionamento afetivo entre pais e filhos ganhou contornos jamais vistos. Os pais criaram uma dependência afetiva em relação aos filhos -e isso não é bom para os mais novos.
Dessa maneira fica muito, muito, difícil para eles a conquista da própria vida.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)



Escrito por DaniFranco às 09h41
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No reino do faz de conta

Estou totalmente sem paciência para ouvir as pessoas me dizendo que o Brasil é a bola da vez, que finalmente deixou de ser o país do futuro e que aqui é a terra das oportunidades....  Acho que um país só pode ser considerado desenvolvido quando os cidadãos têm boas escolas, bons hospitais, segurança. Não vejo nada disso por  aqui e, pior, não vejo qualquer perspectiva de mudança nessas áreas. Em 2002, prestei um concurso para professor do governo de SP. Fui aprovada e desisti da vaga, pois descobri que ganharia por hora menos do que pagava para a minha faxineira na época... Segue tudo igual. E as crianças nas ruas? Sem família, sem estrutura. Como isso vai mudar? Como a construção de estádios e/ou o pre-sal ajudarao essas pessoas? Repito: estou realmente sem a mínima paciência para esse otimismo generalizado em relação ao Brasil. Acho que as pessoas estão fazendo de conta que o Brasil é a bola da vez!


O reino do faz de conta

Nelson Motta - O Estado de S.Paulo

Não chamar as coisas pelos seus nomes - principalmente quando são desagradáveis, ilegais ou imorais -, mas por doces eufemismos, é uma das características mais marcantes do estilo brasileiro. Já começa no nosso célebre jeitinho - o nome que damos a transgressões da lei e das normas para levar vantagem em tudo.

De gratuito, o horário eleitoral não tem nada: as emissoras recebem créditos fiscais por suas perdas de receita comercial e são os contribuintes que pagam pela boca livre dos partidos, num milionário financiamento público das campanhas. Contribuinte já é um eufemismo que sugere ser facultativo e voluntário o pagamento obrigatório de impostos. Em inglês, os que pagam a conta são chamados literalmente de "pagadores de impostos".

"Prestar contas do mandato" significa que o parlamentar gastou verba oficial para se promover com seu eleitorado. As chantagens, achaques e acertos dos políticos com o governo são sempre em nome da "governabilidade". É claro que ninguém fala de suborno ou propina, ou mesmo da antiga comissão, nossa inventividade criou a "taxa de sucesso".

O companheiro Delúbio Soares deu inestimável contribuição ao nosso acervo eufemístico criando o imortal "recursos não contabilizados" em substituição ao antigo, mas sempre atual, "caixa 2", eufemismo histórico para sonegação de impostos e dinheiro sujo.

No Brasil, quase todas as organizações não governamentais só vivem com o dinheiro governamental: o meu, o seu, o nosso. Assim como "notória capacidade técnica" é o álibi linguístico para ganhar licitações sem disputá-las, "mudança de escopo" é o superfaturamento legalizado.

O clássico "o técnico continua prestigiado" significando iminente demissão migrou do futebol para a política com sucesso. Diante de acusações da imprensa, o ministro jura que não fez nada de errado e o governo diz que ele está prestigiado. A novidade é que agora, justamente porque é inocente e está prestigiado, ele pede para sair antes de ser demitido.

No país do faz de conta, quando se ouve falar em "rigorosa investigação, doa a quem doer", todos entendem que não vai dar em nada.



Escrito por DaniFranco às 09h52
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Atentados na Noruega

Tão verdadeiro e tão triste. 

Até os atentados, pensávamos em nosso país como sendo virgem

JO NESBO

Antes do atentado a bomba aqui e do massacre na ilha de Utoya, um amigo e eu estávamos conversando sobre como a alegria de estar vivo sempre parece andar lado a lado com a tristeza pelo fato de que as coisas mudam. 
Nem o mais brilhante futuro pode compensar o fato de que não há caminhos que nos levem de volta ao que aconteceu antes --à inocência da infância ou à primeira vez em que nos apaixonamos.
Não existe estrada de volta ao cheiro dos meses de julho, de quando eu era jovem e pulava do alto de uma pedra para dentro da água gelada de um fiorde norueguês.
Nem uma estrada que retorne ao momento em que, aos 17 anos de idade, eu estava de frente para o mar em Cannes, na França, vendo dois homens adultos trajando uniformes brancos idiotas, remando um barco que trazia uma mulher e seu poodle de um iate para a praia. Percebi então, pela primeira vez, que a sociedade igualitária da qual eu vinha era a exceção, e não a regra. 
Tampouco há uma estrada de volta à primeira vez em que eu, estarrecido, olhei para os guardas com armas automáticas que cercavam o prédio do Parlamento de outro país --algo que me fez abanar a cabeça com um misto de resignação e satisfação, pensando: "No lugar de onde eu venho, não precisamos desse tipo de coisa".
Durante muitos anos, pareceu que nada mudara. 
Você podia deixar o país por três meses para percorrer o mundo, passando por golpes de Estado, assassinatos políticos, situações de fome coletiva, massacres e tsunamis e, ao voltar para casa, constatar que a única coisa que tinha mudado nos jornais eram as palavras cruzadas. 
Era um país onde as necessidades materiais de todos eram supridas. O consenso político era avassalador; as discussões eram voltadas principalmente a como alcançar as metas sobre as quais todos já estavam de acordo.
Divergências ideológicas só começaram a aparecer quando a realidade do resto do mundo começou a nos invadir quando uma nação que até os anos 1970 tinha sido feita em grande parte de pessoas com as mesmas origens étnicas e culturais precisou decidir se seus novos cidadãos deveriam ser autorizados a usar o hijab.
Mesmo assim, até sexta [dia 22], pensávamos em nosso país como sendo virgem.

JO NESBO é escritor norueguês. Este texto foi publicado no "New York Times".



Escrito por DaniFranco às 11h10
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Dependência não é questão de escolha

Concordo 100% com o que o Jairo escreveu. Achei muito triste a morte da Amy, não há nada de glamuroso na dependência química, é uma doença grave.

 

Dependência não é questão de escolha (Jairo Bouer)

Quando hesitei em assistir ao show de Amy Winehouse em janeiro deste ano, em Florianópolis, um amigo que ia junto me alertou: "Vá, sim, que essa pode ser sua última chance de vê-la viva". Não acreditei!
Durante o show, Amy errou a letra, perdeu o ritmo, cambaleou, saiu diversas vezes do palco e ainda "confundiu" a garrafinha de água com o microfone. O que parecia engraçado e patético, para mim, soou muito triste.
Essa tristeza vem, em parte, da percepção concreta da dificuldade que muitas pessoas enfrentam, diariamente, para se livrar da dependência dos diversos tipos de droga. O que acompanhamos no caso de Amy foi o retrato de alguém que precisava de mais ajuda. As suas "rehabs", ao contrário da música, não foram bem-sucedidas!
Uma imagem que chamou a atenção foi ver gente colocando bebida na porta da casa da cantora ou celebrando com um "brinde" no Facebook sua morte, como se houvesse uma aprovação ao "destino" que ela escolheu. Não convence!
A morte de uma artista brilhante aos 27 não é nem romântica nem libertária. É triste! Aquela história de que mais vale viver dez anos a cem do que cem anos a dez, usada para justificar a partida precoce de tantos gênios, para mim, não cola! Não quando você não tem opção de escolher! E, na dependência, você não escolhe. A droga fala mais alto. A fissura, o desejo de repetir a experiência prazerosa, é soberana. Nesse processo, as escolhas são bem poucas.
Apesar de escrever esta coluna antes do laudo oficial dizer qual foi a causa da morte de Amy Winehouse, a gente imagina que um erro acidental ou voluntário na quantidade ou na combinação de substâncias parece ter selado o destino da cantora que mais chacoalhou o cenário da música inglesa neste século.
E para quem acha que dependência é uma questão de caráter ou de escolha artística, a verdade não é bem essa. Dependência é doença! E gênios também ficam doentes e morrem por causa da sua doença!



Escrito por DaniFranco às 14h02
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Mamotomia e o medo de ficar doente

Depois de alguns meses volto a escrever. Passei maus momentos no mês de junho: 12 dias de muito medo e angústia. 

Fui fazer exames de rotina e durante a mamografia, já fui informada de que havia algo suspeito. Mas, a tecnica não diz o que é, apenas transmite insegurança e medo, pois em vez das quatro imagens, tive que fazer oito... Já cheguei em casa chorando... Quatro dias de espera pelo resultado e veio a confirmação do laudo e do medo: birads 4. Para quem não sabe, as mamografias têm um sistema de classificação e birads 4 significa que há achados suspeitos e que pode ser maligno (isto é: achados provavelmente malignos, risco de malignidade entre 2 e 94%). No meu caso, tinha microcalcificações (75% são benignas). Mais dois dias de espera até a ida ao mastologista e a confirmação da necessidade da biópsia. O exame se chama MAMOTOMIA... com esse nome não parecia muito bom... lembra lobotomia. Você deita numa cama (de barriga para baixo) com um buraco para o seio que será mamotomizado.... Ai vem uma maquina que te fura a vacuo e leva as amostras. Para mim, parecia uma furadeira. A palavra que mais quis ouvir durante o exame foi "acabou". Algumas pessoas dizem que não sentiram dor, eu senti muita.  Chorei tanto durante o exame (de nervoso) que ficou uma poça de muco sobre a maca do laboratório.... O pior exame que já fiz.

Ai, mais 4 dias de espera pelo resultado da biópsia: negativa, as lesões são totalmente benignas. Tem coisas na vida que você só sabe o que são quando passa por elas. A espera do resultado de uma biópsia de mama é uma dessas coisas. Não tem como explicar tudo que passa pela cabeça. Nesses  12 dias era como se a minha vida estivesse parada no tempo. Tudo poderia mudar em um segundo.

Mais uma vez a velha lição que saúde é tudo na vida. De nada adianta o resto se você não estiver saudável. E também o reforço da importância dos exames preventivos e no caso das mulheres, da mamografia anual após os 40 e no caso de histórico familiar após os 35.



Escrito por DaniFranco às 07h51
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Sobre o futuro do homem



Escrito por DaniFranco às 16h54
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Mundo monstro



Escrito por DaniFranco às 09h32
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Brasil: o país do futebol?

Faz tempo que digo que o Brasil é o país do voleibol, pois a equipe brasileira foi tri-campeã mundial na última década (e eu tive o privilégio de assistir ao vivo à conquista do último título em outubro em Roma) e ganhou quase todos os título que disputou além de ganhar títulos nas categorias menores (isto é, a continuidade acontece). No texto abaixo, o Tostão, com toda a sua lucidez, explica os motivos do "fracasso" atual do futebol brasileiro.

Tostão: A realidade é outra

A INTER de Milão, mesmo jogando mal, como tem feito no Italiano -é a sétima colocada-, venceu com facilidade os dois jogos no Mundial de Clubes.
Após a derrota do Inter brasileiro para o Mazembe, ouvi, um milhão de vezes, que foi uma das maiores zebras do futebol, que o Inter desprezou o adversário e que o técnico Celso Roth errou na escalação e nas substituições.
Para a maioria, técnico é sempre ótimo na vitória e sempre ruim na derrota.
Escutei também muitos elogios ao fraquíssimo time africano, além de outras explicações para a derrota, as de sempre, quando um time melhor perde para um pior.
Apenas não escutei que o Inter, mesmo no nível das melhores equipes brasileiras, não tem um craque, no rigor que a palavra merece. Possui vários bons jogadores e outros medianos.
Antes do Mundial, a maioria exaltava o Inter, outros times brasileiros e o Campeonato Nacional, porque queria valorizar o produto, aumentar a audiência dos programas esportivos e vender mais pacotes de pay-per-view. Outros exaltavam porque confundem jogo emocionante e equilibrado com qualidade técnica. Alguns elogiavam pelos dois motivos.
E há também os que não perderam o senso crítico e que não fazem parte da turma do oba- -oba. É a minoria.
Apesar de os times brasileiros pagarem muito melhor e contratarem muito mais jogadores bons, caros e famosos, não há diferença técnica entre eles e os principais adversários sul-americanos.
Fora a conquista do Inter na Libertadores deste ano, Grêmio, Fluminense e Cruzeiro foram derrotados nas três edições anteriores.
O Brasil perdeu para a Argentina na última Olimpíada e, na anterior, nem se classificou, mesmo com Robinho, Diego e Nilmar. No último Mundial sub-17, a seleção, com Philippe Coutinho e Neymar, levou um show, acredite se quiser, da Suíça. O Brasil perdeu os três últimos Mundiais sub-17 e sub-20. Nas duas últimas Copas do Mundo, o Brasil foi eliminado nas quartas de final.
O Brasil também ganhou vários títulos. Ganha e perde, com frequência. Deixamos de ser sempre os favoritos.
A antiga diferença entre o futebol europeu, com muita força e jogadores altos e fortes, e o brasileiro, com muita fantasia, habilidade e criatividade, não existe há muito tempo. O Brasil perdeu seu estilo diferente e bonito de jogar. Está tudo igual.
Não sou pessimista. É a realidade, que a maioria não vê ou finge não ver.



Escrito por DaniFranco às 05h31
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Que país é esse?

Na Folha de S.P. de hoje, o excelente texto do Clóvis Rossi:

CLÓVIS ROSSI : Emergente? Só a cabeça

 Eis o país que Dilma Rousseff vai receber:
1 - Os brasileiros que ganham mais de R$ 10.200 são apenas 3 milhões. Os brasileiros que sobrevivem com menos de R$ 1 mil vão a 79 milhões. Detalhe: estamos falando de renda familiar, não individual.
Ou, em porcentagens: apenas 1,5% dos brasileiros habitam o que Elio Gaspari chamaria de andar de cima. Uma massa formidável de 41% mora mesmo é no porão. Outros 40%, pouco mais ou menos, ocupam o andar de baixo.
Estatística à parte, o mais elementar sentido comum manda chamar de pobres esses 80%.
2 - Por incrível que possa parecer, há brasileiros em condição ainda pior, conforme constatou o jornal "O Estado de S. Paulo", ao visitar dados do Ministério de Desenvolvimento Social:
"Entre as 12,7 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa-Família, 7,4 milhões (58%) encontram-se na faixa de renda entre R$ 70 e R$ 140 mensais por pessoa da família. Dessas, 4,4 milhões (35% do total dos beneficiários) superaram a condição de extrema pobreza com o pagamento do benefício. Mas ainda restam 5,3 milhões (42%) de miseráveis no programa".
Posto de outra forma, quase a metade dos pobres entre os pobres não levanta cabeça nem mesmo com a ajuda do governo, de resto indispensável para que pelo menos não morram de fome.
3 - Dispenso-me de rememorar os dados desastrosos sobre educação, divulgados esta semana e já abundantemente comentados. Fico apenas na constatação de que o desnível educacional entre a escola dos mais ricos e a dos mais pobres é uma forma de perpetuar as condições acima descritas.
Dá para dizer que um país assim é emergente? Só pelo critério usado pelo pesquisador Francisco Soares (UFMG): "É como se tivéssemos tirado a cabeça fora d'água, mas a praia ainda está muito longe".



Escrito por DaniFranco às 21h17
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Tolerância à corrupção

Ontem mesmo, uma estrangeira vivendo no Brasil há 2 meses, me perguntou porque eu não tinha votado em Dilma e porque eu não gostava da administração Lula. A resposta seria bem complexa e não havia tempo, mas disse para ela que um dos principais motivos era a corrupção em seu governo. Mais tarde, encontrei o editorial do Estadão, com o qual concordo 100%.

Tolerância à corrupção

Entre 2009 e 2010, melhorou a classificação do Brasil no ranking de percepção da corrupção feito pela organização não governamental Transparência Internacional. Mas isso não significa que a corrupção diminuiu. O avanço brasileiro se deveu à piora do quadro em outros dos 178 países pesquisados. A corrupção é um problema cada vez mais grave no País.

O Brasil, na 69.ª posição, continua entre os países considerados reprovados, que, numa escala de zero (país totalmente corrupto) a 10 (onde não há sinais de corrupção), obtiveram índice inferior a 5. A nota do Brasil em 2010 foi 3,7, a mesma de 2009, e muito inferior à obtida em 2002, quando alcançou a 45.ª colocação. É notório o aumento dos casos conhecidos de corrupção ao longo do governo Lula.

Esse fenômeno é detectado entre representantes do setor privado que foram interrogados pelas instituições que contribuíram para a elaboração da classificação agora anunciada pela Transparência Internacional sobre a frequência com que, para ter seus pleitos atendidos pelo poder público, precisaram pagar propinas, corromper funcionários do Estado ou contribuir para o desvio de dinheiro público.

Nessa classificação, mesmo mantendo a mesma nota do ano anterior, o Brasil evoluiu seis posições, porque outros países caíram e a lista deste ano tem dois países a menos, e continua entre os três quartos dos 178 países com nota inferior a 5. Ao seu lado, na mesma classificação, estão Cuba e Romênia. Entre os países americanos, o Brasil ocupa apenas a 9.ª posição, atrás de Canadá, Barbados, Chile, Estados Unidos, Uruguai, Porto Rico, Costa Rica e Dominica.

São três os países onde praticamente não se percebe a existência de corrupção e que lideram a lista, com nota 9,3: Dinamarca, Nova Zelândia e Cingapura. A lista dos cinco países onde é menor a ocorrência de corrupção é completada por outros países da Escandinávia - Finlândia e Suécia.

A crise mundial, que exigiu medidas de emergência dos governos e a aplicação de vultosos recursos públicos no sistema financeiro, tornou o problema mais grave em todo o mundo, razão pela qual a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle, defendeu a adoção de novas medidas que permitam o combate mundial ao problema.

No caso brasileiro, como observou a organização "Contas Abertas", que faz um acompanhamento minucioso do uso do dinheiro público, a pontuação alcançada em 2010 é igual à de 2005, quando o País foi surpreendido por um dos maiores escândalos de corrupção - o "mensalão".

Mas um conjunto de fatores econômicos e políticos contribui para acobertar os graves problemas sentidos por parcela do setor privado, de modo que a maioria da população não parece dar-se conta das dimensões e da gravidade da questão. O crescimento da economia, com a geração de mais empregos e mais renda, as oportunidades que podem surgir para o País com a realização de grandes competições internacionais, além da imensa popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em consequência desse quadro, como que anestesiam a população, tornando-a mais condescendente com a corrupção.

"Em épocas tão positivas de crescimento econômico, com a organização dos Jogos Olímpicos e da Copa, e por ter o País um líder carismático, a percepção é de que a corrupção passou a um segundo nível no Brasil, que não afeta o cidadão", avalia Alejandro Salas, diretor da Transparência Internacional para as Américas. "Enquanto os interesses mais imediatos são atendidos, com programas sociais, a corrupção passa a ocupar um lugar secundário."

O voto é o grande instrumento de que dispõe o cidadão para punir o corrupto e premiar os políticos corretos, que administram adequadamente o dinheiro do contribuinte. Mas o fato é que o florescimento da corrupção no atual governo não afeta praticamente nada a decisão da maioria do eleitorado.

Como lembrou Salas, o tema da corrupção, apesar de sua gravidade, não foi decisivo na eleição presidencial brasileira. "O assunto não foi central e não está afetando (ele falou antes da realização do segundo turno da eleição presidencial) o apoio aos candidatos." 

 



Escrito por DaniFranco às 07h05
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O papel do jornal



Escrito por DaniFranco às 06h09
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O mal a evitar

Assim como o editorial do Estadão de hoje, sigo a mesma linha e declaro o meu apoio a candidatura de José Serra. Segue um resumo do editorial:

Estadão
Intitulado "O Mal a Evitar", o editorial do 
Estado de S. Paulo diz que "com todo o peso da responsabilidade (...), o Estado apoia a candidatura de José Serra à presidência da República". O jornal ressalta o "currículo exemplar de homem público e pelo que ele (Serra) pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos". O jornal diz que Serra "é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País".

Com o apoio, o jornal rechaça a acusação do presidente Lula de que a imprensa "se comporta como um partido político". "Há uma enorme diferença entre se comportar como um partido político e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste País", afirma o editorial, que cita Lula como "chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder".

No editorial, o Estadão ainda diz que "Lula e seu entorno" escolhem os piores meios "para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder" e cita as recentes denúncias de tráfico de influência na Casa Civil - o que culminou na demissão de ministra-chefe Erenice Guerra - e o "solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso". Ao final do texto, o Estadão avalia que a idéia de que Lula "é o cara" hipnotiza os brasileiros e serve como "mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: 'Se ele pode ignorar as instituições a atropelar as leis, por que não eu?' Este é o mal a evitar".

Além de dizer que Dilma é uma "invenção" de Lula, o jornal pede uma reflexão aos eleitores. "O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais (...) o que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido político como se fossem uma coisa só".

O jornal pondera os lados positivos do governo Lula, "como no desenvolvimento econômico quanto na ampliação de programas sociais", mas considera que, ao mesmo tempo, houve a "desconstrução historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto".

 



Escrito por DaniFranco às 06h06
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Possuída



Escrito por DaniFranco às 14h33
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Nadal cor-de-rosa

Confesso que o Nadal não é um dos meus tenistas preferidos, pois normalmente sou fã dos argentinos, mas não posso deixar de elogiar a camisa rosa que ele usou no Master de Toronto. Eu amei!! Ainda vejo muito preconceito dos homens em relação ao rosa, fora o fato da fixação atual das meninas com menos de 10 anos pelo cor-de-rosa... Totalmente exagerada, aqui em Sao Paulo tem até uma loja cor-de-rosa, com coisas de princesas e tal.... Nao sei como essas meninas irão crescer, e quando descobrirão que os príncipes encantados não existem? Aliás, vejo diariamente muitas meninas com fantasias de princesa, mas nenhum menino fantasiado de príncipe...

Viva o Nadal de cor-de-rosa!! O Federer também jogou de rosa, mas era um tom mais discreto. Ponto para ele também!



Escrito por DaniFranco às 20h01
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